Invertendo o controle
Posted in Agile, Geral, Gestão on June 6th, 2010 by LeoLuzIntro
Ultimamente tenho trabalhado bastante para contratar novos desenvolvedores Java para a empresa onde trabalho. Estou experimentando algumas técnicas para ver como consigo ser mais acertivo filtrando os melhores candidatos. Nesse post gostaria de citar uma delas que tenho achado bem relevante: A decisão em grupo.
A técnica
Basicamente consiste em promover uma entrevista coletiva entre os integrantes do time e o candidato dando a eles o poder da decisão final. Essa técnica tem uma inspiração no Ricardo Semler que é reconhecido internacionalmente por implementar a democracia industrial na Semco no final da década de 80 e até hoje é citado em eventos ao redor do mundo.
Se pararmos para pensar um pouco, e analisarmos cada ação que realizamos no nosso dia a dia, com certeza vamos ser capaz de identificar vários pontos de melhorias. Para ilustrar vou usar o exemplo da contratação de um novo integrante para um time de programadores. Vamos lembrar de como isso geralmente acontece:
- O RH da sua empresa acessa um banco de currículos;
- O responsável pela contratação de pessoal filtra os currículos pela sopa de letrinhas (JSF, EJB, Rails, Python, etc..) que eles não fazem a mínima idéia do que significa.
- Somente após terem levantado pelo menos uns 5 currículos eles convocam todo mundo para uma dinâmica de grupo.
- Todos executam os mesmos testes psicotécnicos e os que passarem são enviados ao departamento responsável pela contratação.
- O gerente da área chama cada candidato aprovado pelo RH e dá o veredito final contratando o que apresentou uma melhor desenvoltura na entrevista.
Você já viu algo parecido com isso acontecendo em alguma empresa por ai? Você vê algo de errado com essas etapas do processo? Vamos lá..
O primeiro ponto é a questão curricular. O currículo nada mais é do que um papel, e papel aceita tudo. Se eu quiser colocar no meu currículo que sou especialista na tecnologia X sem nunca ao menos ter trabalhado com ela eu coloco. Nada vai me impedir disso. Alguns vão dizer: mas vai do caráter de cada um! Ok.. Mas ai eu pergunto: Você acredita no caráter de uma pessoa sem nunca tê-la visto na vida? (ah! O papai-noel te mandou lembranças). O fato é que podemos conviver anos com uma pessoa e nunca conhecê-la de verdade. O dirá um currículo então?
Não sou cético o bastante para não acreditar em dinâmicas de grupo, ou testes psicotécnicos. Muito pelo contrário, acredito que todos esses testes funcionem muito bem. Mas a questão não é se o teste funciona ou não. O fato é que Albert Einstein e Charles Darwin eram disléxicos e provavelmente seriam reprovados em testes como esses. Você quer ter pessoas inteligentes trabalhando no seu time certo? Então por que deixá-las de lado?
Por fim o gerente que provavelmente não seja uma pessoa muito técnica vai conversar com o candidato para dar o veredito final. Já vi alguns farsantes com boa lábia se darem muito bem em entrevistas e depois virarem uma verdadeira pedra no sapato do time.
Conclusão
Não estou dizendo que o modelo tradicional seja 100% falível. Eu mesmo já contratei profissionais muito bons usando procedimentos parecidos. A questão é que ele apresenta muitos pontos de falhas e o que estou tentando fazer é ao menos minimizá-los encarando o problema e tentando achar uma uma solução que não seja “enlatada” fugindo um pouco do senso comum.
O que eu chamei de inversão de controle foi o fato de dar ao time como um todo a responsabilidade da contratação. Se o próprio time escolhe seu novo integrante, este será automaticamente aceito e o trabalho irá fluir muito melhor (experiência comprovada).









Não apenas no ambiente de trabalho, mas também em ocasiões do meu cotidiano vejo pessoas se queixando por diversas situações. É o chefe que tem uma determinada postura.. Os subordinados que não te respeitam.. O dono que não enxerga as tendências de mercado.. Os pais que são muito rígidos com seus filhos.. Entre outras infinidades de situações. Confesso que quando vejo alguém com essa postura, penso comigo: “Mas o que você está fazendo de efetivo para mudar esse cenário, o qual você discorda?”. Ao se queixarem, talvez estejam tentando te repassar o problema, uma vez que se vêem incapazes de solucioná-lo. Talvez estejam realmente desabafando para sentirem-se aliviados. Certamente o que não estão fazendo é tentando achar uma forma de solucionar aquele problema.Essas situações são ocasionadas por nossa capacidade racional de discernimento(bem e mal, ruim e agradável, etc…). Dessa forma, é fácil perceber que esses “problemas”, ou melhor dizendo, discordâncias, são muito mais antigas do que se imagina e na verdade sempre estiveram presentes na vida de um homem. Inevitavelmente todos iremos nos deparar com a necessidade de provar o nosso ponto de vista.


