Ubuntu 10.04 (LucidLynx) – Primeiras Impressões
Posted in Linux, Ubuntu on April 20th, 2010 by LeoLuzIntro
Já faz um tempo que eu acompanho o Ubuntu Project. Para ser mais preciso, venho usando esse sistema operacional desde a versão 6.06 (DapperDrake) lançada em junho de 2006. De la para cá muita coisa mudou e em dez dias a partir da data de hoje a Canonical irá lançar sua mais nova versão desse SO, o Ubuntu 10.04 codinome LucidLynx.
Objetivo do Post
A Canonical já disponibilizou em seu site a versão beta para aqueles que já querem ir testando o novo sistema. Meu objetivo com esse post não é listar todas as novas funcionalidades pois essas informações podem ser facilmente obtidas pelo site oficial. A minha meta é mostrar as impressões gerais de um antigo usuário (que conhece alguns problemas das versões antigas). Para isso eu testei a versão beta instalada em 2 maquinas virtuais: Uma com o MacOSX como Host e outra com o Windows7. Infelizmente não fiz o teste com a instalação nativa e dessa forma não vou poder falar muita coisa em relação à performance e aceleração 3D.
Instalação/Inicialização
Tirando algumas pequenas mudanças no layout e alguns efeitos de “perfumaria” o processo de instalação não trouxe nenhuma grande novidade. Ele ainda te pede para executar os mesmos passos até concluir a instalação do SO. Como de costume o processo é bem fácil e qualquer criança é capaz de executar.
Mudança de Layout
O tema default do Ubuntu teve uma grande mudança, o que gerou um certo desconforto na comunidade. Os botões de controle de janelas passaram do lado direito (windows-like) para o lado esquerdo (macos-like). Como layout e design são questões de gosto, você já pode imaginar que a comunidade ficou bem agitada com essa mudança. Particularmente achei que ficou bem melhor do que estilo antigo. O próprio Mark Shuttleworth (dono da Canonical) respondeu para a comunidade colocando argumentos muito coerentes afirmando que o Ubuntu não é uma democracia onde qualquer pessoa pode decidir, e sim uma meritocracia, onde apenas aqueles que demonstram ter mérito em um determinado assunto podem tomar as decisões (IMHO: fair enough). A resposta pode ser lida na integra aqui (recomendo a leitura!).
Gnome 2.30
Como de costume, uma nova versão do Ubuntu é lançada logo após a nova versão do Gnome. O LucidLynx vem com o Gnome 2.30 e este por si só já traz uma serie de novidades.
Social Network
No meu caso a primeira melhoria notada foi em relação à integração do InstantMessenger (Empathy) com o resto do sistema operacional. Pelo visto os desenvolvedores do Gnome estão dando ênfase a social networking pois tudo esta muito bem integrado. Rapidamente você configura suas contas de broadcast (Twitter, Facebook, Identi.ca, etc..) no Gwibber, suas contas de IM (MSN, GTalk, IRC, etc..) no Empathy, e tudo fica muito bem organizado em um único ponto, facilitando muito o gerenciamento. Esse gerenciador chama-se MeMenu , é bem simples e funcional. Vale a pena dar uma olhada na sua especificação para entender melhor a idéia.
O antigo bug do Gwibber que não permitia configurá-lo em uma rede com proxy autenticado foi corrigido e as funções principais estão funcionando muito bem. Não é difícil notar que o novo layout desses aplicativos sofreram uma certa influencia de seus similares para o MacOS: Tweetie e Adium, o que na minha opinião significa um excelente avanço e uma ótima experiência de usuário.
FileManager (Nautilus)
O Nautilus também ganhou uma pequena melhoria em seu layout. Agora ele não só permite que se abram varias abas, mas como também permite que se abram duas áreas independentes para visualização simultânea.
Ubuntu One
O pessoal da Canonical está nitidamente investindo em sua solução de CloudComputing. De forma bem resumida, o Ubuntu One é um diretório virtual que permite que você integre os seus arquivos pessoais na “nuvem” da Canonical. Algo similar ao MobileMe da Apple.
Para aqueles que se interessam em saber um pouco mais da arquitetura do Ubuntu One, vão descobrir alguns fatos curiosos como por exemplo, a utilização do CouchDB (Document Based Database) no projeto.
Infelizmente não consegui sincronizar nenhum arquivo com a minha conta pessoal. A aplicação apresentou alguns bugs graves e no final deu um crash feio. O relatório do bug foi devidamente enviado para a Canonical. Esperamos que até o lançamento da versão final já esteja mais funcional.
Kernel 2.6.32
As questões relacionadas ao kernel são de mais baixo nível e já não interessam a grande maioria das pessoas. Porém se você é um verdadeiro usuário Linux tenho certeza que vai procurar se informar um pouco sobre como anda a evolução do cérebro do sistema. De qualquer forma, um fato que achei curioso pesquisando sobre a próxima versão (2.6.33) é que eles removeram todo o código do Android. Ou seja, no LucidLynx ainda há código obsoleto a ser removido. De qualquer forma isso não significa muita coisa em relação à performance do sistema conforme relatado. Segue o trecho do changelog que explica o ocorrido:
Google doesn’t seem to have interest in improving the Android drivers to have minimum quality standards which could allow to merge them in the main Linux tree and share them with the rest of community. Of course, that’s totally legal, but it’s sad that a project that is doing so much to bring open source to the masses has become an example of how not to interact with an open source community.
Artigo recomendado: Android and the Linux kernel community.
Conclusão
Apesar de ter presenciado alguns bugs graves na integração do SO com o Ubuntu One, lembro que ainda estamos na versão beta. Até o lançamento da versão final esses problemas provavelmente já estarão corrigidos. A funcionalidade parece bem interessante e a Canonical esta com uma política de conta free com 2GB. Vai ficar bem legal quando tudo estiver 100% funcional.
Outra questão legal é que a Canonical está realmente trazendo algumas inovações para o sistema como uma área de social networking nativa totalmente integrada. Particularmente, não acredito que os 2 outros SOs irão lançar alguma solução similar a essa por questões de marketing, pois a principio eles estariam promovendo indiretamente outras marcas como o Google, Twitter, M$, etc, e isso talvez não seja algo tão interessante no mundo dos negócios. No meu ponto de vista, essa é mais uma vantagem em se usar qualquer distribuição Linux. Os distribuidores não tem que se preocupar tanto com estratégias comerciais. Se o software é livre e a funcionalidade é interessante o bastante para ser publicada por que não disponibilizá-la na próxima versão?



